quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Poesia para mudar o mundo










A união de  33 poetas brasileiros que com suas poesias, mudam o mundo. Homens e mulheres com terna sensibilidade nesse tempo tão caótico, onde semelhantes se agridem por pura ideologia. Porém, quem faz poesia, rompe as cercas do didatismo e mostra pra todas as gentes que poetizar é um verbo pleno, com pernas e braços para alavancar as mudanças que são necessárias para um planeta melhor. Esse projeto, criado por Leila Míccolis que junto com Urhacy Faustino têm o Portal Blocos, foi primeiramente digital e agora impresso. Poesia para ver e tocar.



Saiu na imprensa de Poços de Caldas/Minas Gerais, a seguinte matéria:

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é matéria-hugo-Pontes.jpg



COMUNICAR-TE (Hugo Pontes) - Fls. 09, 05/04/2019 - Jornal da Cidade 
Poços de Caldas/MG



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Adriane Garcia






Adriane Garcia




Apaguem tudo o que eu fiz

Quero uma poesia solidária
Que tome o partido
Do homem
Da mulher eu quero
Uma poesia solidária
Pois eu, solitária, cansei de doer
Por isso vou a uma poesia
Que doa


Adriane Garcia,  (Belo Horizonte, 1973) é uma poeta, escritora, Teatro educadora e atriz brasileira.

Graduou-se em História pela Universidade Federal de Minas Gerais e se especializou em Arte-Educação na UEMG. Seu primeiro livro, Fábulas para adulto perder o sono, venceu o Prêmio Paraná de Literatura em 2013, na categoria poesia. Em 2017, foi curadora do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte.

Contatos: adrianegarciapereira@gmail.com

Obras


2013 – Fábulas para adulto perder o sono (Biblioteca Paraná)
2014 – O nome do mundo (Armazém da Cultura)
2015 – Só, com peixes (Confraria do Vento)
2015 – e-book Enlouquecer é ganhar mil pássaros (Vida Secreta)
2016 – Embrulhado para viagem, Coleção Leve um Livro, organização de Ana Elisa Ribeiro e Bruno Brum (plaquete).
2018 – Garrafas ao mar, ed. Penalux.esia para ver e tocar.

Angela Moraes Souza







Angela Moraes Souza




Porta-vozes
das entranhas,
as palavras
clamaram
decididas
velados desejos.
Afinal o ar.
Sem culpa.


Arquiteta, artista plástica e poeta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro e se radicou em Florianópolis. Tem poesias publicadas na 1a., 3a. e 4a. Antologias da Associação dos Cronistas  , Poetas e Contistas Catarinenses, no "Projeto Literário Delicatta V - Série Esmeralda", na Escrita - Biblioteca Virtual de Escritores, e nas Antologias "Saciedade dos Poetas Vivos" vol. 8 e "Poesia Para Mudar o Mundo" vol. I e II de Blocos Online, onde também tem uma página individual de poesia. Publicou dois livros de poesias, "Palavras Nuas", em 2002, pela Editora Nova Letra e "Um Fio de Seiva", em 2009, pela Editora Digital de Blocos Online. Nas artes plásticas desenha com pastel oleoso sobre papel. É membro da Associação Catarinense de Artistas Plásticos. Os poemas abaixo são de seu livro "Palavras Nuas".
Site: http://www.angelams.com
Contatos: angelamoraessouza@gmail.com



Beatriz Escorcio Chacon









Quatro paredes

Já rabisquei muito poema 
o pé no chão 
solarado. 
Impossível o verso noturno 
no assoalho de agora 
já lustroso de tão gasto. 
Meu coração precisa apanhar sol 
eu preciso de óculos e luminária 
essa é toda minha 
impossibilidade.



É carioca da Piedade, vive em Itaipu, Niterói, onde começou a mostrar poemas para colocar na parede, com desenhos de Miguel Coelho, em 1987. Jornalista pela UFF, é autora dos livros de poemas "Mesa Posta" e "Veios do Corpo", e do infantil "Surpresa de Quintal". Aposentada, avó, aparentemente dona vadia de casa, faz performances poéticas, eventos de arte, prepara novo livro – uma novela de vozes femininas. Orienta a Oficina Literária da Universidade 3ª Idade e participa da Associação Niteroiense de Escritores. Entre as Coletâneas – Prêmios, Crítica, participação: "I Concurso Jornal Balcão de Poesias", Rio, 1988. "Saciedade dos Poetas Vivos", Ed. Blocos, Rio, 1991 e 1995. "Prêmio Stanislaw Ponte Preta", Crônica, RioArte, 1992 e 1994. "Além do Cânone - Vozes Femininas Cariocas Estreantes na Poesia dos Amos 90", org. Helena Parente Cunha, Ed. Tempo Brasileiro, 2004. "Contos do Rio", Prosa e Verso de O Globo, Ed. Bom Tempo, 2005; "Poesia Sempre", nº 24, cap. Poesia Inédita, Fundação Biblioteca Nacional, Rio, 2006. Em Blocos Online, tem página individual de poesia e de prosa. 

Débora Pfeilsticker




Débora Pfeilsticker



Tatuagens




Carreguei nas costas incenso de mirra
e com eles construí uma pira.
Deixei-me arder,
queimar tudo que me fazia mal
— fiz uma espécie de funeral.
Renasci como uma fênix, não por acaso,
fazia parte do ritual.
E de dentro para fora expus minha segunda pele:
meus símbolos e paixões,
meus mantras,
meus deuses,
meus dragões.



Débora Catarina Pfeilsticker, nasceu em Curitiba e vive na cidade de Vitória. Cursou mestrado em Saúde Coletiva (UFES) e possui uma trajetória profissional e acadêmica extensa com artigos publicados na área da saúde. Coordenou vários Projetos de Extensão Universitária (FAESA). É membro do Comitê de Ética e Pesquisa (MULTIVIX). Especialista Credenciada do Conselho de Estadual de Educação (CEE/ES). Nos últimos anos cursou Filosofia da Escola Nômade, Oficinas de Criação Literária, entre outros. Lançou seu primeiro livro de poemas, Caleidoscópio, Ed. Penalux, 2018. No mesmo ano, participou do Painel Literário do Centro Cultural Sesc Glória (Vitória/ES). Coletânea Sarau Polem 10 anos, Ed. Ventura. Seu poema, Passageiro, foi selecionado no 27º Concurso Poemas no Ônibus e no Trem de Porto Alegre, passando a circular nos transportes públicos no segundo semestre de 2019. Participou da antologia, Poesia para mudar o mundo, Blocos Editora, Vol.1, 2019. 


Denise Moraes






Denise Moraes

Fragmentos da infância

Remota em seus fragmentos,
vivas lembranças.
No tempo,
…sinto a fragrância

Nas margens do rio,
pisava sobre as pedrinhas,
cortavam-me os pés, as pontiagudas.
Águas correntes que entoavam uma canção.

Daqueles encantos naturais…
ficaram as lembranças.
Ao pensar no futuro,
corta-me o coração.


A artista plástica Capixaba Denise Moraes  é natural de Vitória-ES.  Tem  formação superior em Letras – UFES, possuindo ainda vários cursos extracurriculares. Exerceu a profissão de bancária, professora na Rede Pública e Privada, e ministrou aulas de pintura em seu ateliê.
Iniciou sua carreira artística despretensiosa, brincando de pintura na adolescência. Posteriormente fez curso acadêmico clássico de pintura.           Revela traços de primitivismo romântico, segundo análise do historiador, urbanista e professor da UFES, Ernesto de Souza Pachito. Com certa dose de autodidatismo, a  artista experimenta materiais recicláveis, como pó-de-serra, areia, barro, usando como suporte colagem em MDF, lonas costuradas e outras que trazem inspiração para a pesquisa em tela, porcelana, parede, etc.  Ela busca ainda, pela pesquisa, novos suportes para a arte, fugindo do academicismo clássico na tela plana, análise do artista plástico  Antonio MarMel, e ainda do professor de pintura acadêmica, o paranaense Alexandre Shuck, que em sua análise observa que a pintora também revela traços do expressionismo.Denise Moraes, artista plástica contemporânea, revela-se como uma admiradora de vários estilos de pintura, não se prendendo a nenhum deles de forma mais fixa constante.   A artista capixaba transita entre vários estilos e várias formas expressivas, o que  acaba de lhe conferir, além de um estilo totalmente subjetivo.  Denise é, por ser uma mescla de todas as escolas que a antecederam, uma  genuína artista pós-moderna, aquela que revaloriza as formas de expressão do passado dando a elas novas “caras” no presente momento.Denise passeia habilmente pelos estilos. Ora se mostra romântica.  Ora se mostra uma autêntica realista. Se num momento se expressa dentro do mais nítido impressionismo, noutro opta por dar vazão a seu lado expressionista.   Análise do historiador carioca Marcelo Mourão, poeta, escritor, professor de História e Literatura com especialização em Língua Portuguesa.Em alguns quadros consegue misturar impressionismo, romantismo e surrealismo numa só tacada.Além de naturezas mortas, Denise pinta lindamente telas com paisagens.   Pinturas de  paisagens são pinturas cujos temas são inspirados em paisagens vistas na própria natureza.   Um pôr do sol ou a vista de uma colina podem ser alvos do pintor que o refaz em suas telas.  Vários artistas se utilizaram desta temática para se expressarem como por exemplo, Claude Monet.
“Considero que o objetivo da arte não é apenas uma tela em branco – morta sobre a qual se projetam complexos e afetos, emoções e idéias subjetivas”, declara a artista, lembrando que Bachelard diz que “dê qualidade às coisas, dê do fundo do seu coração o poder justo aos seres agentes, e o universo se resplandecerá”.
Inspirada em Jung e Hillman, Denise considera a imagem como uma aparição, numa epifania da alma que tem algo a apresentar, sem a necessidade de referentes que a representem.  A artista participou de mais de 140 exposições individuais e coletivas em galerias, espaços culturais, entre elas FAFI, projeto TAMAR, Feira do Verde – Meio Ambiente, shoppings, teatro, CST, PETROBRAS, IV Mostra de Vitória em Arte do SINDIAPPES, Aliança Francesa, Yázigi – Praia do Canto, Ministério da Fazenda, UFES, Assembléia Legislativa – Vitória/ES, Anuário da UFF de 2011, Salão de Artes de Araruama – RJ, Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Galeão, FLICA,  artista destaque- pintando ao vivo no Café com Letras, Alphaville Jacuy.  O projeto da Exposição Itinerante sobre o Meio Ambiente, foi selecionado pela Secretaria de Cultura de São Paulo, ficou exposta em Registro/SP, e ainda expõe em vários espaços de Vitória, Município do Espírito Santo e vários estados do Brasil. Suas obras ainda integram acervos da Assembléia Legislativa – Vitória, Restaurante São Pedro, tombado Patrimônio Histórico, Centro Educacional Leonardo da Vinci, Correios, UFES, PETROBRAS, Museu Solar Monjardim.É integrante do GRUPO ÁGUA  e  participou do GRUPO A AMAZÔNIA É NOSSA. Participa de sites virtuais de exposição de suas obras e poesias na internet.  É ilustradora,  capista e ilustradora. Tem poesias publicadas em Coletânea Infantis, Antologias da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras-AFESL, E-BOOKS, “Poemas à Flor da Pele” Cultura Revista, Jornal impresso AS ACADÊMICAS, Blocos online – “Poesias para Mudar o Mundo“, na Revista Prisma Cultural e “Eternos Elos” do autor Selmo Vasconcellos, participou da Coletiva da Poesia Do Dia do Livro, em Vila do Conde – Portugal, do Varal de Poesias no “Parque das Mangabeiras” em Belo Horizonte.  É acadêmica correspondente da AFESL e membro da Academia Momento Lítero Cultural, ocupando a cadeira nº 74, como Benemérito, Colaboradora da Revista Prisma Cultural-RO. É curadora de Artes. Foi-lhe conferido Menção Honrosa em artes plásticas pela Câmara Municipal de Vitória/ES, e São José dos Campos/SP.  A poesia e Crônica “A Heroína Capixaba Maria Ortiz”, conferiu-lhe medalha de Ouro e primeiro lugar no Concurso de poesias na ” Galeria Café com Arte”,  em Macaé-RJ, 1º lugar Menção Honrosa pela AFEMIL, Concurso Helena Morley,  poemas selecionados para as Antologias “João Bananeira,”  Editora FTD e ” Além do Céu, Além do Mar” em Portugal.A artista sempre difundi arte e literatura em suas mostras, convidando amigos poetas da AFESL, de vários estados do Brasil, e da Europa. Denise utiliza a arte não somente para homenagear, mas também para denunciar e alertar. A natureza está sempre presente em sua obra, transportando seus sentimentos para a tela.

“Entendo que a imagem não é uma pintura, o desenho, a escultura tomados isolada e literalmente, mas, a concretude dessas formas, e a possibilidade de manejá-las, e de interagir concretamente com elas, que permite o exercício imaginal nos termos aqui discutido”.



Dora Tavares





Dora Tavares


Compromisso



Não se deve
questionar a vida
em versos,
quando a alma silencia;
antes. solene,
deixe-a escorrer,
como o sobejo
a transbordar do favo,
feito bênção,
banhando as doces mãos
do apicultor.




Meu nome é Maria Auxiliadora Tavares Duarte, mas, mas adotei o nome literário, Dora Tavares. Vivo com o marido e um filho de 29 anos, Adriano, pessoas que me inspiram. 
"Comecei a escrever desde quando, menina, tomei conhecimento de meus sonhos e passei a me apossar das fantasias que povoam o viver." Sou contista, cronista, articulista, escritora de histórias infantis, poeta, embora tenha publicado apenas três volumes de poesias: em 1985 e 1986: “Resgate da Palavra” e “Pássaro em Diagonal”. No início de junho foi lançado um livro de poemas, em Portugal, intitulado “Eu, Paisagem em Movimento”. Formei-me em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Patos de Minas e, em jornalismo, pela UNI-BH, MG. Pertenço à Academia Municipalista Mineira de Letras, onde represento meu município de origem, Bom Sucesso e à recém formada Academia Bom Sucessense de Letras. Sou detentora de inúmeros prêmios literários, mas o que mais me fascina é o diletantismo de escrever e interagir com outros escritores, conhecer novas pessoas e seus trabalhos, estreitando laços de amizade. Pela terceira vez, participo da Saciedade, o que muito me honra, pelo elevado gabarito de seus integrantes e dirigentes. Sou evangélica, busco na palavra o aperfeiçoamento espiritual e pessoal a cada dia, apesar dos erros e das quedas diárias, enquanto ser humano que sou… estou no trecho…



Eunice Arruda ( Homenagem de Blocos, In memoriam)









Eunice Arruda

Transformação


Anjo
dá guarda

Eu estou atravessando

Também me empresta
de tuas asas
o voo

Que eu chegue a nenhum lugar




Nascida em Santa Rita do Passa Quatro/SP. Desenvolveu atividades relacionadas à literatura; oficinas, leituras públicas de poesia e escritura de poemas. Lançou seu primeiro livro É tempo de noite (1960). Tem 15 livros publicados incluídos em Poesia Reunida (2012). sendo um deles À Beira publicado pela Editora Blocos, 1999. Premiada no Concurso de Poesia Pablo Neruda, organizado pela Casa Latino-americana, Buenos Aires, Argentina. É presença em antologias no Brasil e no exterior. Por tais iniciativas recebeu o prêmio de Mérito Cultural conferido pela União Brasileira de Escritores/RJ e, em 2005, foi homenageada no projeto Mulheres do Mercado, concedido pela Casa de Cultura Santo Amaro/SP. Tem poemas gravados no momento do poeta – Instituto Moreira Salles (IMS)/SP. Nossos agradecimentos a A. Arruda (Ruta Graveolens) e Pedro Arruda Marcondes Cesar, filhos da autora, por autorizarem a publicação.

Flávio Gimenez





Flávio Gimenez







Quíron


Sou poeta e como poeta posso ser médico
Receitando amor aos mais fracos
Recitando os meus versos
Nos reversos que eu faço;
Sou médico e minha alma sofre
O baço olhar indiferente da morte
Do medo absurdo e posso curar
Se o meu for o de Quíron e de Zeus
Eu tiver a sorte
Sou poeta e Deus me habita
Nos cantos da minha casa
Nunca fui santo, mas nem surdo
Eu faço o que posso.



FLÁVIO LUENGO GIMENEZ – Médico. Desde 2006 escrevo regularmente e participo de sites de escrita como o extinto Anjos de Prata, o Blocos Online (poesia e prosa), o Usina de Letras, tendo o meu blog de escritos também em http://fgimenez.squarespace.com Sempre li muito e considero que a arte da escrita nos eleva a patamares de vivência mais e mais elevados. No portal Blocos tenho um livro digital publicado em 2010, com muito orgulho! Pretendo escrever muito, mais e melhor.


Flávio Machado





Flávio Machado
(Crédito: Rebeca Cesar)




Etapas

Comprei desodorante
para usar nos sapatos
agora só faltam os pés
 

Alta costura



anúncio
costura-se
noivas e madrinhas.





Nascido no Rio de Janeiro, em 04 de fevereiro de 1959. As primeiras experiências literárias foram com teatro de bonecos na infância. Durante a adolescência participou de festivais de música, sendo premiado: Terceiro lugar em 1976 no festival de música do Colégio Clóvis Monteiro/RJ: As letras de música aos poucos deram lugar aos poemas. Participou do grupo editorial da Revista Poetagem editada na PUC-RJ no início dos anos 80, colaborou com movimentos literários como o chamado: “poesia marginal”. Possui textos publicados em várias Antologias, iniciando a participação com: “Cem poemas Brasileiros”, pelo selo Veia Poética em 1981. E “Florações Poéticas” da Editora Trote, lançado em 1986. Vencedor de prêmios literários, o concurso organizado pela Editora Blocos em 2002, originando a publicação do livro: “Sala de Espera”, em 2003. Vencedor do Prêmio LiteraCidade nos anos de 2013 e 2015, originando a publicação dos livros: “Provisórios” e “Este Lado para cima”. Colaborou com órgãos da imprensa alternativa, tais como: Tribuna do Norte, Galope Poético, Poemas do Poste, Correio das Artes, etc. Alguns poemas foram publicados em outros países: Estados Unidos, França e Argentina. Influenciado por Oswald de Andrade, Mario Quintana e Ferreira Gullar e poetas do movimento de “poesia marginal” dos anos 80. Alguns críticos consideram o estilo da escrita como cinematográfico. Membro da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências, ocupando a cadeira de número 26. Formado em Engenharia Agronômica e de Segurança do Trabalho. Casado com Ana Cristina César, mora atualmente em Cabo Frio no Estado do Rio de Janeiro. Têm quatro filhos (três meninas, um menino) e um neto.


Gerson Ney França




Gerson Ney França

Sinais


não ponho pingo nos is
tremas nos us
cortes nos tês

as letras têm que estar
sem chapéus ou chifres
eu e você
enfim sem hífens



Paulistano, de 1960. Livros publicados: “Canção de não ser nada e outras canções”, 2009 – Editora Scortecci/Fábrica de Livros; “Canção de não ser nada”, 1998 – Funarte; “Tema&Meta, a poesia é difícil”, 1985, Edição do autor. Antologias Digitais: “Saciedade dos Poetas Vivos”, Volumes 4 , 11 , 12 e 13 e “Poesia Para Mudar o Mundo” Volume 1 – Editora Blocos; Obras Selecionadas: Concurso Nacional de Literatura Jorge Ribeiro, 2010 – Editora Promoarte; I Prêmio Literário Canon de Poesia, 2008 – Editora Scortecci/Fábrica de Livros; “Literatura Século XXI”, Volume II, 1999 – Editora Blocos; Concurso Literário do Sindicato de Escritores do Estado do Rio de Janeiro, 1999; “Mutirão de Poesia”, 1997 – SRR Editor; “Escritores Brasileiros”, 1985 – Crisalis Editora; “A Nova Poesia Brasileira”, 1983 – Schogun Arte. Publicação de poemas: “Agenda da Tribo”, 2002; “Revista Cult”, 1999. Canções Gravadas (mais de quarenta): no EP “Leve” de Paula Souto (2015) e nos seguintes CDs/DVDs: “Inequação”, de Tino de Lucca (2012); “Consoante”, de Deni Domenico (2012), “Acreditar”, de Irineu de Palmira (2012); “Aposta Mútua”, de Pedro Moreno (2011), “Música de Bastidores e Palco”, de Márcia Luzzi (2011); “Festivais do Brasil, Volume 6 ” (2010); “Benza Deus… Ô Sorte!!!”, de Irineu de Palmira (2009); “Vislumbres”, de Guca Domenico (2008); “A Nós Dois”, de Rubem Pasqua (2005), “1º Festival de Música da Freguesia do Ó” (2001); “Zambê”, de Irineu de Palmira (1999), “Levando às Íntimas Consequências (Veloz)”, de Guca Domenico (1992).


Graça Graúna






Graça Graúna


Memórias das cinzas


anjos caídos sob os viadutos
segredam em sonhos
em meio ao alumbramento
de uma terça-feira gorda
a legião se mistura
para renascer das cinzas
em qualquer dia de sol
ou quando a chuva vier

Indígena potiguara, educadora universitária em Literatura e Direitos Humanos. Graduada, Bacharel, Especialista, Mestre e Doutora em Letras pela UFPE; Pós-Doutora em Literatura, Educação e Direitos Indígenas pela UMESP. Publicou “Canto Mestizo” (poesia, Ed. Blocos, 1999); “Tessituras da terra” (poesia, ed. M.E, 2000), “Tear da palavra” (poesia, Ed. Mulheres, 2001), “Criaturas de Ñanderu” (narrativa infantil e juvenil, Ed. Amarylis, 2010), “Contrapontos da Literatura Indígena Contemporânea no Brasil” (Mazza Edições, 2013), “Flor da mata” (haicais, Peninha Edições, 2014). Participa do projeto “Poesia para Mudar o Mundo”, vol. 1 e 2, entre outras antologias poéticas no Brasil e no Exterior.

Hugo Pontes






Hugo Pontes




Velho Chico




O
Rio
São Francisco
não cabe
no corpo
da terra



não cabe
no corpo
de Minas



não cabe
no corpo
do homem



mas cabe
no coração







Hugo Pontes


É natural de Três Corações/MG, onde nasceu a 22 de julho de 1945. reside em Poços de Caldas desde 1974. É professor, formado em Letras – Língua Portuguesa e Francesa. Tem especialização em Literatura Brasileira. É Jornalista e colabora escrevendo para diversos jornais de Poços de Caldas e Minas Gerais. Em suas atividades literárias e de pesquisa histórica apresenta em seu currículo uma extensa lista de trabalhos relacionados com a poesia, o Poema Visual, a Arte postal, o Livro de Artista, a pesquisa literária e a história. Tem 30 obras publicadas entre livros-solo e antologia. Sua obra liter´[aria está voltada para o Poema Visual. Em 1997 publicou pela Editora Plurart’s Defesa de Tese: Poemas sem Fronteiras; pela Editora Annablume/SP, em 2001, Poemas Visuais e Poesias, com reedição pela mesma editora em 2007. O autor mantém o site: http://www.poemavisual.com.br, desde outubro de 1996 para divulgação de poemas visuais de poetas brasileiros e do exterior.

Ildefonso de Sambaíba







Ildefonso de Sambaíba




Circunflexo


Lucidez é ouvir
não o barulho
mas o silêncio
Sem o eco
sem o silni
sem o ê.






Nasceu em Grajaú, Maranhão, mas reside em Brasília. É bacharel em Comunicação Social (Jornalismo) pela UniCeub, Brasília; especialista em Educação, pela Universidade Portucalense, Portugal; especialista em Literatura Brasileira, pela Universidade Católica de Brasília; mestre em Teologia, pela Escola Superior de Teologia, Rio Grande do Sul, com a dissertação “A Ética sob a Ótica da Poética Candanga”. É titular no grupo literário Academia Taguatinguense de Letras; filiado à Associação Brasileira de Escritores. Publicou os livros: “Florescência”, “Vida de Vidro”, “Quem matou as gazelas?”; “Buquê de urtigas”, este, pelo projeto O Livro na Mão, para escolas públicas do Distrito Federal; e “Samjahlia – versos in versos”. Está citado nas dissertações de mestrado: “Fazeres teatrais em Brasília”, Universidade de Brasília, de Elizângela Carrijo; e “O Verbo que populariza o mal: a retórica da guerra no RAP de MV Bil”, Universidade de Franca, São Paulo, de Alzira Conceição de Lima. Escreve a coluna “Ciência ponto Consciência”, atualmente, publicada em três jornais. Atuou como professor municipal; como repórter, em vários jornais; editou o “Escriba”, do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal, o “Boletim da Academia Taguatinguense Letras”, e o “Diário Oficial da União”, Imprensa Nacional. Funcionário do Banco Central do Brasil.



Jandira Zanchi





Jandira Zanchi 



Renascimentos




Tenho, em mim, uma roseira de frutos doces e amaciados
de manhãs inertes – celebrados sem artifícios ou colorações –
poderiam ser encontrados em dias de pouca luz
daqueles esquecidos nos poentes de mármores vazios
quase ao desalento, ricos de madeixas escuras e perfumes de cristal,
tão idôneos em sua ligeireza que entre eles se descobre a água
como um metal de cheiro e calor em seu leito de alvorada.



Foram renascimentos e escutas de uma eternidade vazia
quase opaca na retidão de suas fronteiras, muita saída a sal
e nuvens, circunspecta no eixo maciço da navegação em terra
fria – mesuras e ciência do cotidiano – pássaros e sombras,
fusos e rocas de sabedoria
quase vergando
da alma
a sombra de sua pedra angular – finitude.



Foram nesses estremecimentos de ventos e voltas que estendi
cem contas de fadas e fóruns em uns discursos de meio tempo
regados ao líquido e à nata por ali estremecidos dos corredores
estrelas e parcimônia das vantagens do esplendor da vida



a luta da subsistência estiagem verde e marinha
em beijos salinas versos que se criam monásticos elásticos
prenhes do desejo branco da liberdade
quando ainda não havia o tempo, o fio e o medo
só essa valente sina de semáforos e luzes
aspirando o anjo em seu pouso branco
outono dedilha sua ventura na laje e no apego.




É poeta e ficcionista, autora de Gume de Gueixa (Editora Patuá, 2013), “Balão de Ensaio” (Protexto, 2007), e do livro virtual “A Janela dos Ventos” (Emooby, 2012). Tem lançamento para breve do livro de poesias “Área de Corte” pela Editora Patuá. Integra o conselho editorial de “mallarmargens” revista de poesia e arte contemporânea.



Jania Souza




Jania Souza






Crepúsculo no rio




O violeta arrebenta quente chama de amor
Espalha-se no imenso céu em fulgor
Envolve o laranja abrasador em fagulhas
Precipita-se no rio com ar sonhador.



A morna água prateada em rede tranquila
Brota em cascata dourado sangue em êxtase.
Por breves segundos revela indiscreta
A plenitude do rei sensual no gozo de beijos.



O verde laranja emaranha-se na viúva de preto
O manguezal silencia com os acordes noturnos
No chamamento as aves aos ninhos.
Românticas, as nuvens tornam-se espectros
Da orgia amorosa do crepúsculo no rio.





Escritora, poeta, declamadora, artista plástica, nascida em Natal/RN, Brasil. Tem ativa participação no movimento literário de sua cidade e do seu país. Em sua obra encontra-se registrado um toque sutil de erotismo e realismo com predominância de um profundo pensamento crítico revestido pela metáfora poética, social e humana. Publica literatura infantil; infanto-juvenil, poemas, crônicas, contos. Sócia de entidades culturais: SPVA/RN (fundadora); AJEB/RN; UBE/RN; APPERJ; Clube dos Escritores de Piracicaba; Poetas Del Mundo; Associação Poemas à Flor da Pele; Movimento Virarte; Abrace; Academia de Letras do Brasil (Seccional Bahia); Varal do Brasil. Participação em coletâneas nacionais e internacionais. Participação no Conselho Municipal de Cultural e no Fundo Municipal de Cultura do Município de Natal em três gestões, tendo sido eleita pelo Fórum Municipal de Cultura. Encontra-se em Blocos Online. Livros publicados: “Rua Descalça”/2007; “Fórum Íntimo”/2009; “Magnólia, a besourinha perfumada”/2009; “Entre Quatro Paredes”/2011, publicado em Portugal; “Calle Descalza”/2013, publicado na Argentina; “Lápis & Boca, Sentimento”/2014; “Nossa Morada”/2014; “O Menino e o Cavalo”/2014;
“O Dia em que o Boi Falou”/2014. 


Jaqueline Serávia








Jaqueline Serávia

Com o fio a fiar


Salva da morte por um fio
ela agora vive a fiá
Fia de Don’ Ana, a fiadeira
fia os fios, tece com os bilros suas teias
Conforta como pode a fome impiedosa
com os filhos dependurados
nos bicos dos seus seios.



Mulher por destino e prazer, mãe por opção, escritora por filosofia, poeta por essência, fotógrafa por amor e profissão.
Carioca, aquariana, Jaqueline nasceu Serávia em 16 de fevereiro de 1966, assinando Serávia a partir de 2006. Participou de oficinas de haicais com Jiddu Saldanha, de poesia com Carlito Azevedo e da Carpintaria Poética com Leila Mìccolis. Tem poesias publicadas em antologias no Brasil e no Chile. Participou da antologia on line Saciedade dos Poetas Vivos – Vol. 09, no Portal Blocos, onde encontram-se também publicados alguns de seus contos e crônicas. Na Internet publicou em alguns sites de literatura, entre os quais Blocos Online, Garganta da Serpente e Momento Lítero Cultural.
Em 2013, publicou seu primeiro livro solo de poemas: Inquietações. Reside atualmente em São Paulo/SP. Vem se dedicando ao estudo de Tarô com as tarólogas Ivana Mihanovich e Kelma Mazziero. No Instagram: Jaqueline Serávia.



Karen Debértolis






Karen Debértolis


desaparecido


sou o seu duplo
o invisível
nos escombros do self
a sombra por detrás dos espelhos
o desapercebido que passa como um vulto
uma sensação apenas
um frio na espinha


silenciosamente


esgueira-se pelas beiradas
confunde-se com os restos de papelão
em frente às lojas de departamento
recosta-se nas colunas das marquises
com medo e frio
e observa o mundo
com a lucidez da realidade


solitariamente.









Escritora paranaense.Gravou o CD de Spoken word – A mulher das Palavras (2009). Publicou: Mapas Sutis (Editora Patuá, 2018); Prosa de Palavras (Rubra Cartonera, 2012); A Estalagem das Almas (Travessa dos Editores, 2006); Guardados (Atrito Art, 2003) e Calidoscópio (edição da autora, 1995). Participou de várias antologias, entre elas: Haikai no Paraná (Apaex, 2018) e Blasfêmeas: mulheres de palavra (Casa Verde, 2016). Integrou a programação brasileira da Radio Documenta 14, da Documenta de Kassel 2017 (Kassel, Alemanha), com curadoria de Janete El Haouli e José Augusto Mannis.

Leila Míccolis




Leila Míccolis


PAVLOV


     (Ciclo Familiar)


Como um cão domesticado
pelo dono me revelo
nas vezes em que adormeço
em cima dos teus chinelos.




Carioca da gema (da Tijuca), 20 anos morando em Vila Isabel, 18 em Maricá, e atualmente residindo no interior de São Paulo, em Cândido Mota. Bacharel em Direito (UFRJ), advogou por 10 anos, abandonando a carreira pela literatura em tempo integral. Mestra, Doutora e Pós-doutora em Letras / Teoria Literária (UFRJ). Escritora de poesia e prosa, mais de 40 livros (além das antologias), de televisão, teatro e cinema; crítica literária, analisadora de textos. Obras publicadas na França, México, Colômbia, África, Estados Unidos e Portugal. Elaborou verbetes para a “Enciclopédia de Literatura Brasileira” (MEC/OLAC), é de sua autoria o “Catálogo da Imprensa Alternativa”, RioArte/Prefeitura do RJ. Publicada na Revista Poesia Sempre (Biblioteca Nacional/MEC), consta do Banco de Dados Informatizados do Banco Itaú – Setor Literatura Brasileira/Poesia/Tendências Contemporâneas e dos “Cadernos Poesia Brasileira” – vol. 4, Poesia Contemporânea, editado pela mesma instituição. Vasta colaboração na imprensa literária. Júri de diversos concursos nacionais de poesia, como o da Fundação Biblioteca Nacional (RJ) e o da Cidade de Belo Horizonte (MG). Sua obra é citada em livros e ensaios acadêmicos por dezenas de escritores, entre eles: Affonso Romano de Sant’Anna, Assis Brasil, Chico Lopes, Gilberto Mendonça Teles, Glauco Mattoso, Heloísa Buarque de Hollanda, Ignácio de Loyolla Brandão, Jair Ferreira dos Santos, Nélida Piñon, Pedro Lyra, Nelly Novaes Coelho, Ricardo Cravo Albin, Wilberth Claython Ferreira Salgueiro. Em 2013, a Ed. Annabume (SP) publicou “Desfamiliares” – poesia completa (1965-2012). Este ano (2015) festeja seus 50 anos de poesia. Coedita Blocos Online, com Urhacy Faustino, portal literário há 19 anos na Internet. Na Web:site pessoal, blog, páginas individuais em Blocos, poesia e prosa, curso online de roteiro de televisão e Facebook.

blocos@blocosonline.com.br

Leninha







Leninha

Fernando



Ele é lindo
porque se chama Fernando.
Ele é lindo}porque é jovem
e de repente sonha
o mesmo sonho
que eu sonhava antigamente.
Ele é lindo porque é…
e quando ele passa
eu assovio
fiu fiu




Nasci no Rio de Janeiro, mas desde os quatro anos, moro em Brasília, cidade que gosto muito. Aqui, estudei, trabalhei, fiz amigos. Sou formada em Jornalismo. Em 2009, passei a cultivar a arte de observar e registrar aves, o que tem feito de mim uma pessoa muito feliz. Os meus escritos, que não são em grande número, estão todos em Blocos online (poesia e prosa). Acredito neste projeto, de que a poesia pode mudar o mundo. Ela pode transformar as pessoas, tornando-as mesmo mais sensíveis, mais solidárias. Agradeço muito à amiga Leila Míccolis que vem, há tantos anos, trabalhando em prol da Literatura Brasileira, sempre apoiando e incentivando novos autores. 

Luiz Otávio Oliani





Luiz Otávio Oliani

Construção


                  A Lara de Lemos 


a palavra é adaga
a cortar os pulsos

contra ela

milícias bombas
são inúteis

canhões não têm vez
sequer mordaças

a palavra não se cala

grita ejacula goza

a palavra é adaga

fere, mata
mas também é espera:
seu tempo é todo tempo






Luiz Otávio Oliani é professor e escritor. Publicou 14 livros,  sendo 10 de poemas, 3 três peças teatrais e o livro de contos “A vida sem disfarces”, Personal, 2019.


Contatos: oliani528@uol.com.br

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